Um dia com as onças do Nex

Ontem eu fui até o Nex, No Extinction, um instituto que cuida de onças em Corumbá de Goiás, perto de Brasília.
Como surgiu a ideia
A gente veio para Brasília para que eu pudesse treinar na Pratique Movimento, e vamos passar um pouco mais de três semanas aqui. Minha esposa gosta muito de animais e tem a ideia de, no futuro, fazer também um santuário. Ela encontrou o Instituto Nex, e, como fica a 1h30 daqui, decidimos visitar.
O caminho foi bem fácil. A maior parte foi pela BR-070, e depois uns 30 minutos de estrada de chão batido. Aí sim era preciso um pouco mais de cuidado, com várias subidas e descidas, mas fomos com nosso carro de passeio sem problemas.
A chegada
Chegamos bem no horário de início, 9h30. Já tinha alguns carros e uma van com algumas pessoas. Abriram os portões, entramos e estacionamos dentro do terreno.
Fomos andando até uma área comum, com cozinha e área de estar. Era como uma cabana toda aberta, sem paredes, com cobertura de palha. Achei muito legal, e ali debaixo a temperatura estava mais agradável. Numa mesa bem grande estava o café da manhã: frutas, pão de queijo, ovo, suco.
O seu Silvano, um dos mantenedores do Nex, fez uma introdução. Contou o que é o Nex, como eles atuam e por que a gente estava ali: para conhecer o trabalho deles, ter esse contato, ter cada vez mais empatia e querer lutar para ajudar os animais.
Pelo que entendi, eles tinham uma fazenda e havia uma onça que tinha sofrido algum acidente e não tinha um lugar bom para ficar. Eles aceitaram receber essa onça na terra deles e começaram a cuidar dela. Era a Pacato, a primeira onça. Foi a partir dela que esse trabalho começou.
Depois da introdução, fomos tomar o café. E, enquanto comíamos, entre uma árvore e outra, já dava para enxergar algumas onças nos recintos em volta.
As suçuaranas
Depois do café, o Rogério, que trabalha lá há mais de 25 anos, foi o nosso guia. Ele começou pelos recintos de três suçuaranas, três pumas, cada uma de um bioma: Amazônia, Cerrado e Pantanal. As três convivem lá. Ele contou a história de cada uma, e a gente pôde vê-las correndo, fazendo os seus sons, e aprender um pouco mais sobre elas.
São duas fêmeas e um macho. Uma das fêmeas é a Lana, do Pantanal. A outra é a Suiá, que, se não me engano, é da Amazônia, e é ela a dominante. Acontece que a Lana, por ser do Pantanal, tem uma estrutura maior e é mais forte. Só que ela não percebe isso. Como ele falou, no dia em que a Lana perceber que é a mais forte, ela vira a dominante. É uma questão meio psicológica do animal: achar que é mais fraco que o outro quando, na verdade, não é.
Os outros recintos
Dali fomos visitar os outros recintos. Vimos o da Mati, a onça que fez a Juma na novela Pantanal e que recebe os cuidados lá. Vimos dois irmãos, um macho e uma fêmea, se não me engano, de mais ou menos 2 anos. E outro recinto com onças melânicas, uma delas o Guarani.

Fomos de recinto em recinto ouvindo a história de cada um. E foi isso que mais me marcou. De cara, eu nem lembro de todas as histórias, mas foi bom ouvir, porque cada um carrega uma história. E cada um tem um motivo de existir no ecossistema, de trazer equilíbrio.
Me marcou também o trabalho deles: conservar esses animais, tratar os que chegam e tentar levá-los de volta para a vida selvagem, para que possam viver no seu habitat. É um trabalho muito árduo, mas eles fazem, e é uma causa muito importante.
A cachoeira e a alimentação
Antes do almoço ainda fomos a uma cachoeira e tomamos banho. Depois de almoçar, voltamos a cada um dos recintos, dessa vez para dar comida a eles.
Pudemos vê-los se alimentando e protegendo a comida da gente, como se fôssemos invasores. Eles não estão acostumados com visitas assim e entendem que ali é o território deles. Isso foi bem legal também.
Depois da alimentação teve um discurso de encerramento, e a gente foi embora, até porque estava prometendo chuva e não queríamos pegar a estrada de barro molhada.
O que fica
O que eu gostaria que você levasse daqui é a importância que cada ser tem neste mundo. Não é brincadeira, ninguém está aqui por nada. Cada um tem a sua função na existência, para trazer equilíbrio para todos.
De uma forma ou de outra, a gente se afeta. Que a gente possa afetar um ao outro de forma positiva.